O comércio justo do pirarucu selvagem de manejo sustentável é uma estratégia coletiva promovida pela Associação dos Produtores Rurais de Carauari (Asproc), em parceria com o Coletivo do Pirarucu e em conjunto com outras nove instituições em 11 diferentes áreas de manejo, extraindo quase 300 toneladas de peixe, por safra anual (2019).

Fundada em dezembro de 1994, Asproc é uma organização de trabalhadores e trabalhadoras agroextrativistas que residem em comunidades ribeirinhas localizadas ao longo do médio rio Juruá, no município de Carauari (AM), a 780 km de Manaus. A associação sem fins lucrativos tem como missão organizar e representar os trabalhadores rurais na luta pela garantia dos direitos, viabilizando processos de organização e comercialização da produção solidária e sustentável, para a geração de renda, melhoria da qualidade de vida com a conservação dos recursos ambientais.

ARRANJO COMERCIAL COLETIVO DO PIRARUCU

O arranjo comercial coletivo do pirarucu selvagem de manejo sustentável garante renda para inúmeras comunidades indígenas e ribeirinhas. Iniciado em 2018, o acordo reúne 9 instituições em 11 áreas de manejo.

“O arranjo comercial é importante porque tira as comunidades manejadoras de um processo de semi-escravidão. A nossa meta é reduzir a exploração dessas pessoas que prestam um serviço tão importante para a sociedade, fazendo trabalho de conservação”, explica Adevaldo Dias, presidente do Memorial Chico Mendes. 

A atividade coordenada pela Asproc assegura além da pesca sustentável, o processamento correto do peixe, como limpeza, porcionamento e armazenamento, até chegar aos acordos comerciais. A negociação de preços compatíveis com o mercado conseguiu elevar o preço do pirarucu em 60,5%, se comparado ao valor praticado pelas outras comunidades. 

O coletivo do pirarucu é um fórum formado por representantes dos povos indígenas e comunidades tradicionais, técnicos de organizações de apoio e assessoria (gestores e analistas do governo e técnicos de ONGs), representando as onze áreas de manejo integrantes do arranjo comercial. O coletivo tem como objetivo a articulação conjunta dos representantes para o desenvolvimento de estratégias de valorização e fortalecimento do manejo participativo do pirarucu, assim como a comercialização da produção das áreas manejadas.

Organizações de base e áreas de manejo integrantes do arranjo comercial:

  • Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas do Médio Purus - ATAMP (Reserva Extrativista do Médio Purus),
  • Associação Indígena do Povo das Águas - AIPA (Terra Indígena Paumari do lago Manissuã, Terra Indígena Paumari do Lago Paricá e Terra Indígena Paumari do Cuniuá),
  • Cooperativa Mista Agroextrativista do Rio Unini - COOMARU (Reserva Extrativista Rio Unini),
  • Associação dos Trabalhadores Rurais de Juruá - ASTRUJ (Reserva Extrativista Baixo Juruá),
  • Associação Agroextrativista de Auati-Paraná - AAPA (Reserva Extrativista Auati- Paraná),
  • Associação do Povo Deni do Rio Xeruã - ASPODEX (Terra Indígena Deni),
  • Associação de Produtores do Setor Coraci - APSC (Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã),
  • Colônia de Pescadores Z-32 de Maraã (Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá),
  • Associação dos Produtores Rurais de Carauari - ASPROC - Acordo de Pesca do Baixo Juruá (Carauari),
  • Associação dos Produtores Rurais de Carauari - ASPROC (Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari),
  • Associação dos Produtores Rurais de Carauari - ASPROC (Reserva Extrativista Médio Juruá).

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BENEFÍCIOS

Os planos de manejo beneficiam diversas populações tradicionais, indígenas e pescadores urbanos em mais de 20 municípios do Estado do Amazonas. Nos últimos três anos estima-se que mais de 4.500 mil pessoas tenham sido diretamente beneficiadas pela renda gerada com o manejo de pirarucu.

Os produtos do pirarucu que chegam ao mercado são: carne fresca, carne seca, pele e couro, escama, língua e carcaça.  A maior parte destes produtos são consumidos na região metropolitana de Manaus e  capitais da região Sudeste. O couro é exportado para países do exterior, como Estados Unidos, México, Itália, Chile, Alemanha, Espanha e Japão.

Para saber mais sobre a Asproc, acesse: 

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Constituída legalmente há 25 anos, a ASPROC tem a missão organizar e representar os trabalhadores rurais na luta pela garantia dos direitos.

A Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC) é uma organização de trabalhadores e trabalhadoras agroextrativistas de comunidades ribeirinhas localizadas ao longo do médio rio Juruá, no município de Carauari (AM), a 780 km em linha reta de Manaus, chegando a 1.500 km se acessado pela sinuosidade do rio. Constituída legalmente há 25 anos, a ASPROC tem a missão organizar e representar os trabalhadores rurais na luta pela garantia dos direitos, viabilizando processos de organização e comercialização da produção solidária e sustentável, para a geração de renda e melhoria da qualidade de vida das comunidades, aliadas à conservação da floresta e dos seus ecossistemas.

Pelo histórico de organização social das populações ribeirinhas do Médio Juruá, a ASPROC é referência na Amazônia brasileira de superação e resultados.

O Gosto da Amazônia é uma iniciativa de um Coletivo de organizações no Estado do Amazonas que assumiu o desafio de formar arranjos comerciais que buscam agregar valor à cadeia produtiva do Pirarucu, impulsionando o desenvolvimento socioambiental da região,compensando os custos ambientais com a realização do manejo e a conservação ambiental com a garantia de preço justo.

“Os resultados são bastante expressivos. A proteção de lagos explica mais de 80% da variação no estoque populacional de pirarucu."

A ASPROC tem atuado em uma dimensão territorial e inclusiva, passando a comercializar o pirarucu de outras áreas de manejo e associações comunitárias e indígenas, pagando preços mais justos e buscando novos mercados, com o objetivo de aumentar a renda e a qualidade de vida dos pescadores e manejadores. Exemplos de outras áreas parceiras da ASPROC são: as Terras Indígenas Deni e Paumari, as comunidades do Acordo de pesca de Carauari, a RDS Mamirauá (região de Jutaí), a RESEX do Baixo Juruá, a REXEX Rio Unini, a RESEX Auatí-Paraná e a RESEX do Médio Purus.

Para saber mais sobre a instituição, acesse: www.asproc.org.br
E-mail: asproc.associacao@gmail.com

(97) 3491-1023