CONHEÇA A HISTÓRIA DO PROJETO GOSTO DA AMAZÔNIA

Região do Médio Purus, na Amazônia. Foto: Marizilda Cruppe.

O foco é ampliar o consumo do pirarucu de manejo sustentável em outras regiões do país – Por Renata Monti – 08.06.2020
Iniciado em abril de 2019, o Gosto da Amazônia atua na ampliação do consumo do pirarucu selvagem de manejo sustentável em todo o Brasil. Não só a comercialização do peixe é importante para o projeto, mas também a manutenção das comunidades em suas áreas originais, a preservação da espécie, dos rios e lagos, e da Floresta. O manejo desenvolvido nas diferentes áreas é baseado na organização social e produtiva das famílias e de suas representações associativas, e vem ganhando escala mais recentemente com a atuação conjunta de diversas comunidades manejadoras, organizações da sociedade civil e governamentais.

A iniciativa é fruto da cooperação internacional entre o governo do Brasil e dos EUA, executada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO) e Serviço Florestal dos EUA, com recursos da Agência para Desenvolvimento Internacional dos EUA (USAID), apoio da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ), e participação da Operação Amazônia Nativa (OPAN), Conservação Estratégica (CSF), Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM), Memorial Chico Mendes (MCM), Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC) e Associação dos Comunitários que trabalham com Desenvolvimento Sustentável no Município de Jutaí (ACJ).

Com esse panorama em vista, o projeto traçou algumas ações no ano de 2019. A primeira etapa, em abril, convidou 15 renomados chefs do  Rio de Janeiro para realizar testes culinários com o peixe, a fim de comprovar o potencial do pirarucu para a gastronomia. Em uma segunda fase, alguns desses cozinheiros ofereceram oficinas sobre o modo de preparo do pirarucu para 250 pessoas, que tiveram a oportunidade de saborear a iguaria e entender um pouco mais sobre as diferenças entre a pesca predatória e o modelo sustentável.

No mês de julho de 2019, dez chefs participaram de uma expedição pelas terras indígenas Paumari, na região do Médio Purus, na Amazônia, para conhecer de perto os benefícios da atividade do manejo. Esse tipo de  pesca respeita os critérios de reprodução e crescimento do pirarucu em seu habitat natural e ainda faz a vigilância de rios durante todo o ano, por parte dos manejadores, garantindo a conservação da Floresta.

Chefs participam de expedição pela Região do Médio Purus, na Amazônia. Foto: Marizilda Cruppe.

Finalizando o primeiro ano do projeto, os festivais de gastronomia exploraram a versatilidade do pirarucu selvagem de manejo, em três grandes eventos. Em agosto, a estreia foi no Rio Gastronomia, que reuniu mais de 60 mil pessoas no Píer Mauá. No quiosque Gosto da Amazônia, montado especialmente para a degustação de pratos com o pirarucu de manejo, foram servidas mais de 3 mil porções com o peixe. O evento ainda contou com a presença dos índios Paumari e duas palestras sobre as iniciativas do coletivo do pirarucu na Amazônia.

Em setembro, o Festival Gosto da Amazônia aportou em 14 restaurantes do Cadeg. Os cozinheiros criaram receitas exclusivas com o peixe e venderam mais de uma tonelada do pescado. O festival contou ainda com aulas de chefs, provinhas e recreação infantil. Em dezembro, foi a vez do Shopping Uptown, na Barra da Tijuca, reunir 25 restaurantes com pratos e petiscos feitos com o pirarucu. O cardápio variado contou com receitas criativas, como hambúrguer, harumaki, ceviche, tacos, até a tradicional moqueca.

O resultado deste trabalho culminou na criação da marca Gosto da Amazônia, em janeiro de 2020, que será utilizada como base para ampliar o consumo do pirarucu selvagem em outras regiões do país, levando em conta as premissas de sustentabilidade.