Chefs aprovam pirarucu selvagem de manejo sustentável em São Paulo

Devido ao sucesso das receitas com o peixe, o Festival Gosto da Amazônia foi prorrogado até 05 de dezembro

Prato do restaurante Micaela. Foto Ricardo Castilho Jr.

Com o grande sucesso do Festival Gosto da Amazônia em São Paulo, o público ganhou mais uma semana para degustar os mais de 20 pratos criados por chefs renomados até 5 de dezembro. Mais de 30 restaurantes aceitaram o desafio de trabalhar com o pirarucu selvagem de manejo sustentável da Amazônia, e se surpreenderam com as qualidades do peixe e com a reação do público.

Veja a lista completa de participantes e pratos

A chef Danielle Dahoui, do Ruella, já esteve na Amazônia e conhecia o pirarucu. Mas os benefícios do manejo sustentável, que envolve indígenas e ribeirinhos na extração do peixe e conservação da Floresta, ficaram mais claros com a chegada do Festival. 

“Comer é um ato político.  É um trabalho muito importante esse que o Gosto da Amazônia está fazendo, de conscientização do consumidor. Por isso é necessário que as pessoas saibam o que estão comendo, de onde vem o alimento, se é a época certa para o consumo”, destaca Danielle, que criou para o cardápio do Ruella o pirarucu grelhado ao molho bisque com cúrcuma da terra e castanha do Brasil, acompanhado de purê de banana com gengibre.

Prato do restaurante Ruella. Foto Ricardo D'angelo

De origem amazonense, o chef Felipe Schaedler já está acostumado a trabalhar com o pirarucu de manejo em seu restaurante, o Banzeiro, em Manaus. No último ano, foi a vez de levar o seu tempero para uma filial em São Paulo. Durante o Festival, ele conta que preferiu utilizar a ventrecha na brasa. É servida com escamas de banana e batata bolinha no forno a lenha. 

“O pirarucu veio com muita qualidade para gente aqui em São Paulo. A venda foi bem bacana usando a ventrecha, que é a minha parte favorita, e a aceitação do público está sendo muito boa, o prato está vendendo super bem”, explica Schaedler. 

Prato do restaurante Banzeiro. Foto Ricardo D'angelo

O chef gaúcho Marcos Livi, à frente dos restaurantes Veríssimo, Quintana, Brique e Galo Véio do Distrito, teve criatividade para inventar um prato com o pirarucu para cada casa. No Brique, apostou no roll do peixe grelhado com mandioquinha e acelga tostada, picles de cenoura, beterraba marinada e molho de vinho branco com alho. No Quintana,  optou pela versão grelhada servida com mandioca, farofa de banana vinagrete de salsa criola e picles de abóbora. No Verissimo, com couscous de farinha d’ água, banana da terra e castanha do Brasil com caldo de tucupi e camarão seco. Já no Distrito, a posta de pirarucu é levemente defumada e finalizada na parrilla, com manteiga de ervas e limão, acompanhada de legumes tostados e farofa.

“Nossas casas interagiram muito. E com mais uma semana de evento, conseguimos evoluir mais na divulgação. Decidimos que vamos deixar o peixe fixo no cardápio”, destaca o chef Marcos Livi.

Prato do restaurante Capim Santo. Foto Divulgação Capim Santo

Duas vezes por ano, a chef Morena Leite, do Capim Santo, viaja para a Amazônia explorando as rotas gastronômicas paraenses. Durante essas expedições, conheceu o pirarucu e se encantou pelo peixe e todo envolvimento das comunidades locais em torno da preservação.

“Adoro o pirarucu, porque já tenho uma ligação especial com o peixe, desde a minha primeira viagem para a Amazônia, há quinze anos. E é muito bom ver o peixe de manejo sustentável chegando a São Paulo. Agora, estou me esforçando para levá-lo para Trancoso, na Bahia”, diz Morena, que serve no Capim Santo o peixe confitado com molho de tacacá acompanhado de purê de palmito pupunha e farofa cítrica de Bragança.

Prato do restaurante Quintana. Foto Ricardo D'angelo

O chef Fábio Vieira, do Micaela, conta que ficou empolgado quando soube que o pirarucu do Gosto da Amazônia é selvagem, com alimentação toda natural. 

“O sabor do peixe é outro. Faz toda diferença ele crescer no habitat natural, se alimentando do que tem nos rios da Floresta. Digo que é um peixe tão bom, que se você errar na receita, fica bom. Fiquei encantado e já fiz várias versões e até defumado”, elogia Fábio, que serve  o pirarucu grelhado com risoto de tucupi e jambu com arroz bomba.

Curtiu? Compartilhe essa matéria aqui

Deixe aqui seu comentário

fechar

Constituída legalmente há 25 anos, a ASPROC tem a missão organizar e representar os trabalhadores rurais na luta pela garantia dos direitos.

A Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC) é uma organização de trabalhadores e trabalhadoras agroextrativistas de comunidades ribeirinhas localizadas ao longo do médio rio Juruá, no município de Carauari (AM), a 780 km em linha reta de Manaus, chegando a 1.500 km se acessado pela sinuosidade do rio. Constituída legalmente há 25 anos, a ASPROC tem a missão organizar e representar os trabalhadores rurais na luta pela garantia dos direitos, viabilizando processos de organização e comercialização da produção solidária e sustentável, para a geração de renda e melhoria da qualidade de vida das comunidades, aliadas à conservação da floresta e dos seus ecossistemas.

Pelo histórico de organização social das populações ribeirinhas do Médio Juruá, a ASPROC é referência na Amazônia brasileira de superação e resultados.

O Gosto da Amazônia é uma iniciativa de um Coletivo de organizações no Estado do Amazonas que assumiu o desafio de formar arranjos comerciais que buscam agregar valor à cadeia produtiva do Pirarucu, impulsionando o desenvolvimento socioambiental da região,compensando os custos ambientais com a realização do manejo e a conservação ambiental com a garantia de preço justo.

“Os resultados são bastante expressivos. A proteção de lagos explica mais de 80% da variação no estoque populacional de pirarucu."

A ASPROC tem atuado em uma dimensão territorial e inclusiva, passando a comercializar o pirarucu de outras áreas de manejo e associações comunitárias e indígenas, pagando preços mais justos e buscando novos mercados, com o objetivo de aumentar a renda e a qualidade de vida dos pescadores e manejadores. Exemplos de outras áreas parceiras da ASPROC são: as Terras Indígenas Deni e Paumari, as comunidades do Acordo de pesca de Carauari, a RDS Mamirauá (região de Jutaí), a RESEX do Baixo Juruá, a REXEX Rio Unini, a RESEX Auatí-Paraná e a RESEX do Médio Purus.

Para saber mais sobre a instituição, acesse: www.asproc.org.br
E-mail: asproc.associacao@gmail.com

(97) 3491-1023