Pirarucu selvagem de manejo sustentável chega a São Paulo

Comercialização na capital paulista conta com três opções para consumidores - Por Renata Monti - 27.07.2020

Manejo de pirarucuManejadores do arranjo comercial do pirarucu selvagem | Foto Bernardo Oliveira

O pirarucu selvagem de manejo acaba de chegar a São Paulo. O peixe vem direto das comunidades indígenas e ribeirinhas da Amazônia para o mercado paulistano, obedecendo aos critérios de pesca estabelecidos pelo Ibama, juntamente com outros órgãos de pesquisa que monitoram a atividade na Floresta. A alimentação do pescado é toda natural, assim como o seu crescimento, nos rios, lagos e várzeas da Amazônia. O produto final é símbolo de uma atividade sustentável e nos moldes da economia solidária, dentro do arranjo comercial do pirarucu, coordenado pela Associação dos Produtores Rurais de Carauari (Asproc). 

A venda para bares, hotéis e restaurantes em São Paulo teve início no dia 20 de Julho, através da Biobá. As encomendas podem ser feitas pelo telefone: (61) 98441-4535 ou e-mail: bioba@bioba.com.br. Já a partir do dia 28 de Julho, o consumidor final  poderá comprar o produto em diversos pontos de venda de São Paulo, entre eles o Instituto Chão, localizado na Rua Harmonia, 123, Vila Madalena, e o Instituto Feira Livre, na Rua Major Sertório, 229, Vila Buarque. 

Para a Associação dos Produtores Rurais de Carauari (Asproc), coordenadora do arranjo comercial do pirarucu de manejo ao lado de 11 comunidades indígenas e ribeirinhas, a chegada em São Paulo representa uma grande oportunidade de mercado e aprendizado. 

                                Manejador em atividade na região de Carauri, na Amazônia | Foto Adriano Gambarini | Opan

“Considerando todo o trajeto que o pirarucu Gosto da Amazônia faz para chegar a São Paulo, desde a saída da comunidade, que está a sete dias de viagem a barco de Manaus, até o processamento e armazenamento do peixe, é um grande feito e uma imensa oportunidade. 90% do nosso produto são comercializados no Amazonas, mas no ano passado demos um passo para o Rio de Janeiro e agora alcançamos São Paulo. Estamos ainda dando a oportunidade para o consumidor consciente ajudar na conservação da Floresta Amazônica e também  remunerar de forma digna as famílias que fazem a proteção daquele ecossistema”, destaca Adevaldo Dias, presidente do Memorial Chico Mendes.  

Para dar as boas vindas a quem vive na capital paulista, o Gosto da Amazônia marcou presença no Happening Virtual da Prazeres da Mesa, que celebrou os 17 anos da revista. Quem participou da live, no dia 21 de Julho, conheceu um pouco da história da marca e do manejo sustentável do pirarucu. A ideia é que o peixe esteja presente em outros festivais da revista ao longo dos próximos meses.

                                           Lombo e barriga (ventrecha) estão disponíveis para o consumidor final em SP | Foto Rodrigo Azevedo

Como explica Luis Carrazza, Coordenador Executivo da Biobá, o trabalho nesta fase inicial visa sensibilizar cozinheiros, chefs, donos de bares e restaurantes em São Paulo para a importância do consumo do pirarucu de manejo sustentável. 

“O propósito da Biobá é conectar o campo com a cidade, fazendo a ponte entre os pequenos produtores ecológicos e os comerciantes. O potencial do pirarucu de manejo sustentável é enorme, pois além do sabor, cumpre uma série de requisitos valorizados pelo consumidor consciente, como a origem na agricultura familiar, o envolvimento com as comunidades locais, sem exploração social, e o respeito ao meio ambiente”, esclarece Luis.

Já nos Institutos Chão e Feira Livre, associações sem fins lucrativos que trabalham com produtos orgânicos e da economia solidária, os consumidores finais poderão adquirir a barriga (conhecida no Amazonas como ventrecha) e o lombo do pirarucu, cortes do peixe muito saborosos e versáteis, que possibilitam diversas formas de preparo.   

Onde encontrar:

São Paulo

Biobá - Hotéis, bares e restaurantes. Telefone: (61) 98441-4535 ou e-mail: bioba@bioba.com.br. 

Instituto Chão - Consumidor final. Rua Harmonia, 123, Vila Madalena. 

Instituto Feira Livre - Consumidor final. Rua Major Sertório, 229, Vila Buarque.

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Constituída legalmente há 25 anos, a ASPROC tem a missão organizar e representar os trabalhadores rurais na luta pela garantia dos direitos.

A Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC) é uma organização de trabalhadores e trabalhadoras agroextrativistas de comunidades ribeirinhas localizadas ao longo do médio rio Juruá, no município de Carauari (AM), a 780 km em linha reta de Manaus, chegando a 1.500 km se acessado pela sinuosidade do rio. Constituída legalmente há 25 anos, a ASPROC tem a missão organizar e representar os trabalhadores rurais na luta pela garantia dos direitos, viabilizando processos de organização e comercialização da produção solidária e sustentável, para a geração de renda e melhoria da qualidade de vida das comunidades, aliadas à conservação da floresta e dos seus ecossistemas.

Pelo histórico de organização social das populações ribeirinhas do Médio Juruá, a ASPROC é referência na Amazônia brasileira de superação e resultados.

O Gosto da Amazônia é uma iniciativa de um Coletivo de organizações no Estado do Amazonas que assumiu o desafio de formar arranjos comerciais que buscam agregar valor à cadeia produtiva do Pirarucu, impulsionando o desenvolvimento socioambiental da região,compensando os custos ambientais com a realização do manejo e a conservação ambiental com a garantia de preço justo.

“Os resultados são bastante expressivos. A proteção de lagos explica mais de 80% da variação no estoque populacional de pirarucu."

A ASPROC tem atuado em uma dimensão territorial e inclusiva, passando a comercializar o pirarucu de outras áreas de manejo e associações comunitárias e indígenas, pagando preços mais justos e buscando novos mercados, com o objetivo de aumentar a renda e a qualidade de vida dos pescadores e manejadores. Exemplos de outras áreas parceiras da ASPROC são: as Terras Indígenas Deni e Paumari, as comunidades do Acordo de pesca de Carauari, a RDS Mamirauá (região de Jutaí), a RESEX do Baixo Juruá, a REXEX Rio Unini, a RESEX Auatí-Paraná e a RESEX do Médio Purus.

Para saber mais sobre a instituição, acesse: www.asproc.org.br
E-mail: asproc.associacao@gmail.com

(97) 3491-1023