O manejo sustentável do pirarucu selvagem da Amazônia é uma pesca controlada (extrativista), que respeita critérios estabelecidos através do conhecimento tradicional das comunidades ribeirinhas e indígenas, de estudos científicos e do acompanhamento de órgãos ambientais.
HISTÓRIA
Implementado pelo Instituto Mamirauá, inicialmente na região do médio Solimões, em 1999, o manejo participativo surgiu da necessidade de preservação da espécie Arapaima gigas, ameaçada de extinção na década de 90, e se difundiu por quase todo território amazônico em 20 anos. Prática de uso sustentável e gestão participativa do recurso pesqueiro, o manejo comunitário garante a sobrevivência da espécie, soberania alimentar e renda às comunidades envolvidas no processo, configurando-se como um extraordinário caso de conservação da biodiversidade.
Graças à atividade, o pirarucu voltou a habitar grande parte das várzeas amazônicas e não é mais uma espécie ameaçada. Com o esforço realizado para a implementação do manejo do pirarucu, que envolve atividades de contagem e a vigilância dos lagos, entre outras etapas, observa-se que os estoques de outras espécies aumentaram, como tambaqui, jacaré-açu, tartaruga, tracajá, peixe-boi.
Realizado por grupos de pescadores locais, o manejo reúne a combinação do uso de tecnologias tradicionais, como a contagem do número de pirarucus em cada região, e modernas, como o rastreamento dos indivíduos pescados e uso das redes malhadeiras. A atividade, autorizada pelo IBAMA,respeita o período de pesca, que normalmente ocorre na maioria das áreas, de setembro a novembro, assim como o tamanho dos animais, que devem ser extraídos dos lagos apenas adultos, acima de 1 metro e meio de comprimento, e o limite de pesca de até 30% dos indivíduos adultos em cada área de manejo.
Produção sustentável, renda e mercados
Em 2017, foi realizado um diagnóstico sobre o manejo de pirarucu em 07 Unidades de Conservação Federais, 07 Unidades de Conservação Estaduais, 05 Terras Indígenas e 04 áreas de Acordos de Pesca, das quais 23 áreas foram pesquisadas, representando 78% do total das áreas de manejo do estado do Amazonas, em 12.501.043 hectares de floresta de áreas protegidas.
De acordo com o diagnóstico, o manejo de pirarucu ocorre em mais de 1.200 ambientes aquáticos no território do Amazonas. Em 2016, o estoque contabilizado de pirarucus adultos e juvenis foi de 417.982, com um crescimento de 60% no período entre 2012 e 2016, e representando 12% de crescimento médio anual. A pesca no Estado do Amazonas, em 2016, foi de 33.204 indivíduos de pirarucus.
Número de empregos gerados e benefícios sociais
No manejo a renda é obtida a partir da produção capturada a cada ano. Todos os integrantes de um grupo recebem em peixes ou em faturamento, a quantidade ou valor proporcional a sua dedicação nas atividades inerentes ao manejo.
Em 2016, a produção no Amazonas estava na ordem de 1.900 toneladas. Trata-se de uma atividade que mobiliza mais de 15.000 pessoas, seja no fornecimento de insumos (gelo, combustíveis e gêneros alimentícios), no comércio local das cidades, no elo do transporte da produção e pré-beneficiamento da produção e nas indústrias de pescado.
Projeções futuras sobre a cadeia
Para 2020, a expectativa é que a produção no Estado do Amazonas alcance o patamar de 2.500 toneladas de pirarucu, além do acesso pelas organizações pesqueiras de duas importantes políticas públicas: a Política de Garantia de Preços Mínimos para os Produtos da Sociobiodiversidade (PGPM-Bio) e o Decreto no 41.829, publicado no Diário Oficial do Estado do Amazonas no dia 21/01/2020.
População beneficiada e abrangência
Os projetos de manejo beneficiam populações tradicionais diversas e pescadores urbanos em mais de 20 municípios do Estado do Amazonas. Nos últimos três anos estima-se que mais de 4.500 mil pessoas tenham sido diretamente beneficiadas pela renda gerada com o manejo de pirarucu.
Usamos cookies no site pra dar a você uma melhor experiência de navegação, para continuar é só clicar no botão:
Este site usa cookies para melhorar sua experiência enquanto você navega pelo site. Destes cookies, os cookies que são categorizados como necessários são armazenados no seu navegador, pois são essenciais para o funcionamento das funcionalidades básicas do site. Também usamos cookies de terceiros que nos ajudam a analisar e entender como você usa este site. Esses cookies serão armazenados em seu navegador apenas com o seu consentimento. Você também tem a opção de cancelar esses cookies. Porém, a desativação de alguns desses cookies pode afetar sua experiência de navegação.
Os cookies funcionais ajudam a realizar certas funcionalidades, como compartilhar o conteúdo do site em plataformas de mídia social, coletar feedbacks e outros recursos de terceiros.
Os cookies de publicidade são usados para fornecer aos visitantes anúncios e campanhas de marketing relevantes. Esses cookies rastreiam visitantes em sites e coletam informações para fornecer anúncios personalizados.
Os cookies de desempenho são usados para compreender e analisar os principais índices de desempenho do site, o que ajuda a fornecer uma melhor experiência do usuário para os visitantes.
Cookies analíticos são usados para entender como os visitantes interagem com o site. Esses cookies ajudam a fornecer informações sobre as métricas de número de visitantes, taxa de rejeição, origem de tráfego, etc.
Os cookies necessários são absolutamente essenciais para o funcionamento adequado do site. Esses cookies garantem funcionalidades básicas e recursos de segurança do site, de forma anônima.