Pirarucu inspira nova arquitetura sustentável para a COP30

Foto: Amarilis Marisa/ Agência Belém

Texto: Fabíola Abess | ASPROC – Publicado em: 11.07.2025

Símbolo amazônico guia projeto inovador em Belém, unindo tradição, cultura e sustentabilidade

O maior peixe de água doce do mundo, o pirarucu, não encanta apenas na gastronomia. Em Belém (PA), a capital amazônica que vai receber a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), o gigante da Amazônia também inspirou a arquitetura do novo Mercado de São Brás, que será reinaugurado especialmente para o evento em 2025. A obra leva a assinatura do arquiteto Aurélio Meira e promete ser um marco para a cidade.

O projeto valoriza a identidade regional ao trazer, no formato do telhado, linhas e texturas inspiradas no couro do pirarucu, criando uma conexão profunda com a floresta e seus povos. Essa escolha reforça o compromisso com soluções inovadoras, sustentáveis e alinhadas à conservação da floresta.

Módulos no telhado do Mercado de São Brás homenageiam o couro do pirarucu

No Mercado de São Brás, as estruturas principais são compostas por grandes blocos alongados, conhecidos como “vagões” por lembrarem o formato de trens. Esses módulos abrigam diferentes espaços internos e ganham cobertura com telhados orgânicos, que evocam o movimento, a fluidez e a força do pirarucu. Mais do que uma obra, o mercado se torna um convite para celebrar a cultura local e suas raízes.

Durante uma visita técnica ao local, a representante do Gosto da Amazônia em Belém, Nalva Maia (@maia_mariscos), conversou com o arquiteto Aurélio Meira e destacou a importância do projeto. “Ver o pirarucu, que é parte da nossa vida e da nossa cultura, inspirar uma obra tão grandiosa para a COP30 enche a gente de orgulho. É a Amazônia mostrando que sustentabilidade e tradição podem caminhar juntas”.

Com o arquiteto Aurélio Meira em visita técnica, Nalva apresentou o projeto Gosto da Amazônia

Coordenado pela ASPROC, o arranjo comercial do pirarucu Gosto da Amazônia fortalece essa conexão entre manejo sustentável, design e identidade cultural, levando ao mundo um produto que valoriza a floresta em pé e transforma a vida de comunidades na Amazônia.

Textura do pirarucu com pele e escamas           Foto: Bernardo Oliveira

Saiba mais sobre o manejo do pirarucu

O manejo sustentável do pirarucu é uma estratégia de conservação que une conhecimento tradicional e ciência para garantir a preservação da espécie e o sustento das comunidades amazônicas. Considerado o maior peixe de água doce do mundo, o pirarucu já esteve ameaçado pela pesca predatória. Com o manejo, comunidades ribeirinhas e indígenas passaram a monitorar os lagos, definir cotas de pesca, proteger os períodos de reprodução e fiscalizar de forma coletiva a atividade.  Essas cotas são autorizadas e regulamentadas pelo IBAMA, o que torna a pesca do pirarucu manejado uma atividade legalizada e totalmente rastreável. Ou seja, cada peixe pescado tem origem controlada e certificada

Essa prática não só contribui para o equilíbrio ecológico, mas também gera renda digna, fortalece a economia local e incentiva a conservação da floresta em pé. Ao comercializar o pirarucu de manejo, como faz o Gosto da Amazônia, o consumidor apoia diretamente um modelo de desenvolvimento sustentável, que valoriza a cultura, os saberes e o território das populações tradicionais.

Inspirar a arquitetura do novo Mercado de São Brás na força e na beleza do pirarucu é também reconhecer essa história de cuidado e respeito. Um símbolo vivo da Amazônia, que conecta tradição, inovação e sustentabilidade — na mesa, na arte e agora também na arquitetura.