A Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC) esteve, no último sábado (3), junto ao Comando da 12ª Região Militar, em Manaus, nas instalações do Serviço de Aprovisionamento, para a realização da Oficina Gastronômica com o Gigante da Amazônia: Pirarucu.
A atividade reuniu diretamente 20 militares cozinheiros, que participaram de um dia de formação e intercâmbio gastronômico acompanhado pela Chef Roberta Azevedo, embaixadora do projeto Gosto da Amazônia. A oficina teve como elemento central o pirarucu proveniente do manejo sustentável realizado por comunidades extrativistas da Amazônia, aproximando a produção da agricultura familiar e das populações tradicionais das cozinhas responsáveis pela alimentação de grandes grupos.

A iniciativa busca apresentar aos profissionais da área de alimentação novas possibilidades de preparo do pirarucu, demonstrando que o pescado é um alimento versátil, nutritivo e adaptável a diferentes preparações e cardápios. A proposta é compartilhar formas inovadoras, simples e práticas de utilização do produto, considerando especialmente os desafios e as necessidades de cozinhas que trabalham diariamente com o preparo de refeições para um número expressivo de pessoas.
A oficina evidenciou o potencial do pirarucu manejado como produto da sociobiodiversidade amazônica e as possibilidades de sua inserção em mercados institucionais e em outras regiões do Brasil, especialmente por meio das políticas públicas de compras da agricultura familiar.
A gastronomia como ponte entre a floresta e os mercados
A participação da Chef Roberta Azevedo reforça a dimensão gastronômica e educativa da iniciativa. Nutricionista, cozinheira e curadora gastronômica, à frente da Comedoria Sazonal, Roberta é, desde 2021, Chef Embaixadora do projeto Gosto da Amazônia, dedicado à valorização e à promoção do consumo consciente do pirarucu de manejo selvagem.
Sua trajetória junto ao projeto inclui uma experiência de imersão na Amazônia, em Manaus e no Médio Juruá, construída em parceria com a ASPROC, que permitiu uma aproximação direta com os territórios, as comunidades, os modos de vida e os processos de manejo e comercialização do pirarucu.
Essa aproximação entre quem produz, quem cozinha e quem consome é fundamental para compreender que o pirarucu que chega à mesa carrega consigo uma história de trabalho, organização comunitária, conservação ambiental e geração de renda para as famílias extrativistas.

ASPROC e a experiência com as compras públicas
A ASPROC tem construído, ao longo de sua trajetória, uma experiência de comercialização baseada na organização coletiva dos produtores e na valorização da produção extrativista.
Por meio da Associação, os produtos dos próprios associados chegam a diferentes mercados, incluindo os mercados públicos das Forças Armadas, fortalecendo uma relação comercial que aproxima diretamente a produção das comunidades das instituições compradoras.
Essa trajetória está relacionada ao processo de fortalecimento das políticas públicas voltadas à agricultura familiar e aos empreendimentos familiares rurais, que sabem da importância da própria produção para a segurança alimentar, a geração de renda, a valorização dos territórios e o desenvolvimento sustentável.
A primeira experiência da ASPROC com o Comando da 12ª Região Militar ocorreu em 2015, com o fornecimento de pirarucu e farinha de mandioca. Desde então, a Associação vem participando das chamadas públicas e construindo uma relação comercial que já ultrapassa uma década.
São mais de dez anos de uma experiência que demonstra, na prática, que é possível criar caminhos para que o próprio produtor, organizado coletivamente, possa comercializar sua produção diretamente, agregando valor ao seu trabalho e fortalecendo a economia das comunidades.
Do manejo sustentável à alimentação de grandes grupos
O pirarucu utilizado na oficina representa uma cadeia produtiva que começa nos territórios onde vivem as comunidades extrativistas e passa pelo trabalho de manejo, beneficiamento, organização da produção, comercialização e, finalmente, chega às cozinhas e à mesa dos consumidores.

O manejo comunitário do pirarucu constitui uma importante estratégia de valorização dos recursos naturais, pois associa a geração de renda para as famílias à conservação dos estoques pesqueiros e ao fortalecimento da organização comunitária.
Ao aproximar essa produção das cozinhas institucionais, a oficina contribui para ampliar o conhecimento sobre o produto e demonstrar suas possibilidades de utilização em preparações destinadas a grandes grupos.
A experiência também reforça a importância das compras públicas como instrumento de desenvolvimento, capazes de criar mercados para produtos oriundos da agricultura familiar e das populações tradicionais, ao mesmo tempo em que oferecem às instituições compradoras alimentos de qualidade produzidos nos próprios territórios amazônicos.
Uma experiência que pode abrir novos caminhos
A realização da Oficina Gastronômica com o Gigante da Amazônia representa uma oportunidade de conectar diferentes elos de uma mesma cadeia: os extrativistas que manejam o pirarucu, a organização comunitária que estrutura a comercialização, os profissionais responsáveis pelo preparo dos alimentos e as instituições que realizam compras públicas.
Ao apresentar novas formas de preparo e utilização do pirarucu, a oficina contribui para que o produto seja cada vez mais conhecido e incorporado a diferentes cardápios, ampliando seu potencial de comercialização para além dos mercados tradicionais da Amazônia.
A experiência construída pela ASPROC ao longo de mais de dez anos junto às Forças Armadas demonstra que as compras públicas podem ser um importante instrumento para aproximar produção, mercado e políticas públicas, criando oportunidades concretas para que os produtos da floresta cheguem a novos consumidores.
Nesse sentido, a oficina realizada em Manaus reafirma uma trajetória que vem sendo construída há anos: valorizar quem produz, reconhecer o conhecimento de quem vive e conserva a floresta e criar novos caminhos para que a produção da Amazônia encontre mercados capazes de reconhecer seu valor.

O Gigante da Amazônia na mesa dos brasileiros
O pirarucu é um dos grandes símbolos da biodiversidade amazônica. Quando proveniente de cadeias sustentáveis e organizadas pelas próprias comunidades, ele representa também uma possibilidade concreta de geração de renda, valorização cultural e conservação ambiental.
Levar esse pescado para diferentes cozinhas e ensinar novas formas de prepará-lo significa ampliar as possibilidades de consumo e, consequentemente, fortalecer os mercados que sustentam as famílias que vivem da floresta.
A Oficina Gastronômica com o Gigante da Amazônia: Pirarucu nasce, assim, do encontro entre gastronomia, agricultura familiar, conservação ambiental, organização comunitária e compras públicas. É um encontro que coloca no centro aqueles que fazem essa cadeia existir: os produtores e extrativistas da Amazônia.
Da floresta para as cozinhas. Das comunidades para os mercados. Do manejo sustentável para a mesa dos brasileiros. Essa é a trajetória que a ASPROC vem construindo e que a oficina pretende fortalecer.