GOSTO DA AMAZÔNIA CAPACITA COZINHEIROS DAS FORÇAS ARMADAS DO BRASIL

Chefs Teresa Corção e Natacha Fink ensinam receitas com o pirarucu. Foto Divulgação: 12 Região Militar

Atividade integrou o II Simpósio Regional de Inclusão Social e Produtiva Rural da Agricultura Familiar de Manaus – Por Renata Monti – 01/06/2020

Cozinheiros das Forças Armadas brasileiras e merendeiras do estado do Amazonas participaram de capacitação promovida pelo Gosto da Amazônia, iniciativa apoiada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade/ICMBio e Serviço Florestal Estadunidense/USFS no âmbito da cooperação técnica com a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional/USAID. Diversas formas de preparo do pirarucu selvagem de manejo sustentável foram ensinadas durante II Simpósio Regional de Inclusão Social e Produtiva Rural da Agricultura Familiar de Manaus. O encontro, realizado no dia 17 de março, na capital do Amazonas, foi promovido pela 12ª Região Militar de Manaus (Acre, Roraima, Rondônia e Amazonas) e o Ministério da Cidadania.

“Temos dois objetivos principais com o Simpósio. O primeiro diz respeito à otimização dos processos de compras da agricultura familiar aqui no Norte. O segundo objetivo está diretamente ligado ao desenvolvimento sustentável regional. A geração de renda para os empreendimentos proporciona emprego de novas tecnologias no campo, melhorando a qualidade de vida das nossas comunidades da região Norte e fixando essas famílias em suas áreas de origem”, explicou o tenente-coronel Matos Júnior, da 12 Região Militar.

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A capacitação foi orientada pelas ecochefs Teresa Corção, do restaurante O Navegador, e Natacha Fink, do Espírito Santa, ambos no Rio de Janeiro.  O foco foi o preparo de pratos saborosos com o pirarucu selvagem de manejo sustentável, além de outros produtos amazônicos,que envolvem diversas comunidades ribeirinhas da Amazônia. As oficinas mostraram a versatilidade do peixe com diferentes modos de preparo, utilizando barriga, lombo e filé. Entre as mais de 15 receitas e técnicas ensinadas, o menu contou com croutons de pirarucu (barriga),  ceviche de pirarucu com bits de manga rosa (filé), moqueca de pirarucu (filé e barriga) e a farofa de banana com pirarucu. Ao final da capacitação, o grupo serviu um almoço para os 80 participantes do Simpósio.

Capacitação envolveu merendeiras e cozinheiros da 12 Região Militar. Foto Divulgação: 12 Região Militar

“A capacitação desperta nos cozinheiros o interesse pelos produtos regionais e faz com que percebam a importância dessa cadeia produtiva dentro da dieta dos quartéis. Além de ser uma comida regional, de baixo impacto pelo consumo local, é de alto valor nutritivo, com o peixe espetacular”, explicou Teresa Corção, que faz parte do grupo de chefs embaixadores do pirarucu de manejo no Rio de Janeiro.

Nascida em Manaus, a chef Natacha Fink observou a importância de não deixar a comida sem graça, com preparos criativos. “Observamos que já utilizavam o pirarucu, mas sempre da mesma forma. Fazendo o ensopadinho (guisadinho), muito comum na minha infância em Manaus. Nosso objetivo foi ensinar essas pessoas que já conhecem o produto a explorar de forma diferente, para que não fique monótono. Essa foi a nossa grande contribuição”, explicou Natacha.

O presidente do Memorial Chico Mendes, Adevaldo Dias, destaca a importância da inclusão do pirarucu selvagem de manejo, nas Chamadas Públicas das Forças Armadas de aquisição de alimentos. “Essa participação tem possibilitado que as comunidades que fazem o manejo e protegem uma grande parcela do território Amazônico, comercializem seus produtos por preço mais justo e elimine da cadeia os atravessadores que ficavam com parte significativa da renda do produto, que hoje fica direto com os extrativistas. É um comprometimento desse poder com o trabalho de proteção que as comunidades realizam em territórios, assim como um reconhecimento que as comunidades estão com um nível de produção de altíssima qualidade a ponto de atender padrão exigido neste tipo de fornecimento”, avalia Dias.

Técnicas de preparo e receitas foram ensinadas pelas chefs. Foto Divulgação 12 Região Militar

De acordo com João da Mata, Coordenador de Produção e Uso Sustentável do ICMBio, a aproximação com as Forças Armadas, quando ressaltamos a importância do cumprimento de políticas públicas como o Programa de Aquisição de Alimentos-PAA, e com o devido reconhecimento do trabalho desenvolvido pelas populações tradicionais em áreas protegidas, é importante para oportunizar o acesso a mercados que melhor remuneram a produção agroextrativista destas comunidades, como é o exemplo das Compras Institucionais do PAA.

“São políticas de suma importância para que esses produtos sejam vendidos a preço justo, com a qualidade necessária. Temos que criar o acesso à estas políticas para essas populações, que muitas vezes são reféns de questões logísticas, falta de orientação técnica e de informações”, destacou João.

Ainda de acordo com o tenente-coronel Matos, o aprendizado dos cozinheiros será multiplicado em outras unidades militares. Só em 2019, a 12ª Região Militar quase quadriplicou as compras com a agricultura familiar. A estimativa é que até cem toneladas do peixe sejam consumidas pelas Forças Armadas nesta Região no ano de 2020, dependendo das chamadas e políticas de recursos.