Brasília recebe o Festival Gosto da Amazônia

Rock´s Grill. Lombo de Pirarucu Sous Vide grelhado na brasa, zabaione de arubé com mix de raízes, ervas e alho confit.

De 9 a 26 de setembro, 50 bares e restaurantes servem o pirarucu selvagem e de manejo sustentável na Capital Federal, com realização do Sindhobar e do Mundo Mesa. Após o sucesso das edições em São Paulo e Rio de Janeiro, o Festival aporta em Brasília com o objetivo de estimular o consumo do peixe e gerar renda para  as comunidades ribeirinhas e indígenas que contribuem para a conservação de mais de 11 milhões de  hectares da Floresta Amazônica.

Confira a lista completa de participantes e pratos.

Por Renata Monti

Bla´s. Pirarucu na brasa com molho moquem de pimentões defumados, acompanhado de mandioca frita, purê de palmito e formiga baniwa. Foto Guto Martins

O chef Gabriel Blas, do Bla´s Restaurante, conta que mergulhou nos ingredientes amazônicos para criar um prato interessante. “Fizemos o exercício de pensar em todo o processo, começando pela pesca, o único resquício de caça que ainda temos. E como os índios conservavam a carne? Através de defumação, por isso escolhemos um molho moquem de pimentões defumados”. Como acompanhamento, o chef elegeu a mandioca frita, o purê de palmito e a formiga baniwa. 

“As pessoas vão comer uma comida diferente, nova e se encantar. Queríamos fazer algo fora do lugar comum e arriscar. Foi um processo de imaginar tudo o que estava naquele ecossistema. É genial a ideia de criar um Festival como esse, que promove um produto sustentável e ajuda as comunidades ribeirinhas”, elogia Gabriel.

No Rock´s Grill, o chef Luis Trigo também apostou em sabores bem amazônicos, utilizando não só o pirarucu selvagem e de manejo, mas também o arubé (um concentrado de tucupi, o caldo da mandioca brava) com mix de raízes, ervas e alho confit. 

“Pensei num prato que valorizasse o produto, colocando ingredientes tipicamente brasileiros. A minha expectativa é casar a excelente matéria prima com o conceito do restaurante”, aposta Luis.

Casa Baco. Pirarucu assado no forno a lenha, pesto de baru, canjiquinha de milho com pupunha, acelga grelhada, salsa tucupi

O chef Gil Guimarães, da Casa Baco, nunca tinha trabalhado com o pirarucu selvagem e de manejo. “O produto é muito bom e me surpreendi”. Na criação do prato, quis propor uma junção do peixe com elementos cerrado brasileiro, elegendo receitas como a canjiquinha com redução de pequi e tucupi, acrescentando baru e pupunha. 

“Ficou um prato bem fresco, bem interessante. A gente tem que colocar a gastronomia brasileira na mesa sempre, sempre. É a nossa cultura, é o nosso dia a dia que deve ser valorizado”, destaca o chef.

Brasis. Lombo de pirarucu grelhado ao vinho e pimenta rosa com molho de cupuaçu, acompanhado de batatas salteadas ao murro, manteiga de ervas e farofa da chef

Trabalhando há dois anos com o lombo do pirarucu selvagem e sustentável, a chef Edilane Maior, do restaurante Brasis Ateliê Gastronômico, diz que é apaixonada pela Amazônia. Para o Festival, criou o pirarucu grelhado ao vinho e pimenta rosa com molho de cupuaçu, acompanhado de batatas salteadas ao murro, manteiga de ervas e farofa da chef.

“O Festival me emociona. Estou feliz em participar. A Amazônia é o pulmão do mundo e respirar ela através da gastronomia é fantástico!! O pirarucu é especial porque além de ter um sabor maravilhoso, tem uma história por trás.  Para trazer personalidade ao prato, escolhi o cupuaçu e a farofa da chef, que é feita com castanhas brasileiras”, explicou Edilane. 

Le Parisien. Fish and Chips – Tiras de pirarucu empanadas e fritas com massa de cerveja, páprica defumada e pimenta dedo-de-macaco, acompanhada de molho tártaro e chips de batata inglesa com raspas de limão

Relembrando a infância, o chef paraense Leandro Nunes, do Le Parisien Bistrot, conta que cresceu comendo o pirarucu selvagem. Para o Festival, apostou no  Fish and Chips: tiras de pirarucu empanadas e fritas com massa de cerveja, páprica defumada e pimenta dedo-de-macaco, acompanhada de molho tártaro e  chips de batata inglesa com raspas de limão. 

“É um prato para compartilhar, um petisco que não tem como não gostar. O pirarucu é um peixe suculento que desmancha na sua boca e ficou muito interessante como petisco”, explica o chef. 

Com a prática do manejo sustentável, o pirarucu voltou a habitar grande parte das várzeas  amazônicas e sua quantidade nas regiões de manejo aumentou em 400% nos últimos dez anos. A marca coletiva Gosto da  Amazônia também defende e pratica o comércio justo, pagando em média aos manejadores cerca de  60% a mais pelo peixe do que os frigoríficos da região, e sendo distribuída para fora de Manaus  diretamente através dos produtores, representados pela ASPROC (Associação de Produtores de  Carauari). 

“Os festivais têm a importância de comunicar os atributos do pirarucu sustentável. Permite  que as pessoas conheçam o peixe e possam compreender que estão consumindo um produto de  sabor único, mas também tendo um consumo consciente. O evento torna conhecido o pirarucu, e o  público está contribuindo tanto para a conservação dos recursos naturais da Amazônia, como  também para melhorar a qualidade de vida daquelas pessoas que fazem esse produto acontecer”,  destaca Adevaldo Dias, da Asproc (Associação dos Produtores Rurais de Caruari) e presidente do  Memorial Chico Mendes. 

O Festival vai até 26 de setembro em Brasília.

SERVIÇO

Festival Gosto da Amazônia Brasília 

Quando: 9 a 26 de setembro de 2021 .

Lista de participantes e pratos: https://gostodaamazonia.com.br/festival/